.: Acadêmicos da ULBRA conhecem a história
de Carazinho :.
Na noite de quarta-feira, 1° de junho, os acadêmicos do curso de
Design da ULBRA Carazinho participaram de uma palestra sobre a História
de Carazinho com Odilo Gomes, advogado, professor aposentado, poeta e escritor.
Toda a turma da disciplina de História da Arte Estética, ministrada
pela professora Ilse Ana Piva Paim, acompanhou atenta a explicação
do palestrante.
Enquanto um aluno filmava ininterruptamente cada detalhe da palestra, seus
colegas mal piscavam para não perder cada gesto poético proferido
pelo trovador. A Professora iniciou a aula declarando que temos histórias
em Carazinho que não conhecemos, assim como temos histórias
em nossa família que não conhecemos, e conhecer faz com que
possamos valorizar. Somos aquilo que construímos. A história
nos auxilia a memorizar nosso feitos.
Ricardo Schwingel, 26 anos, considerou interessante conhecer um pouco da
historia do município. “Vai ficar marcada essa breve experiência,
pude tirar muito proveito, ele foi feliz em situar a cidade de Carazinho
no contexto da história do Rio Grande do Sul e do próprio país.
A cidade foi fundamental na intervenção das revoluções
e hoje se ostenta em forte desenvolvimento”.

Odilo iniciou a palestra dizendo que só se ama aquilo que se conhece. “Uma
verdade assim se encerra presa em cada memória. Não nasci em
Carazinho, nasci às margens do Rio dos Sinos, vivo às margens
do Rio da Várzea há mais de 50 anos”, declamou. Para
contextualizar Carazinho, o professor aposentado abordou com precisão
todas as datas e detalhes envolvendo a descoberta da América, o Tratado
de Tordesilhas e a Cia de Jesus.
Conforme o palestrante, em Carazinho, Santa Tereza e São Carlos do
Caapi estavam entre as 18 reduções jesuíticas do Estado,
reduzindo os índios que viviam soltos para ensinar-lhes agricultura
e arte. As duas reduções na região foram instaladas
em Pinheiro Marcado. “Em 1.642 todas as reduções foram
apagadas, a partir de 1860 foram fundadas outras reduções jesuíticas,
e Carazinho ficava no território de São Lourenço entre
as sete novas reduções”.
O ápice da palestra foi quando detalhadamente Odilo contou como a
história do município aconteceu. “Um outro caminho para
chegar a São Borja que passasse pelo litoral, traçado por Atanagildo
Pinto Martins. Este, passando pela região, encontrou campos muito
propícios para a criação de gado. Seu irmão pediu
uma semana para se estabelecer na região de Pinheiro Marcado para
criar gado, fundando a fazenda São Benedito. Alferes Rodrigo Pinto
Martins começou a agricultura nas terras onde hoje é o território
de Carazinho.
Em 1872 aconteceu um fato importante na história de Carazinho, como
a atual avenida principal, na época era uma cancha de corrida de cavalos,
Pedro Vargas se impressionou com a vista panorâmica e exclamou “Que
lugar mais lindo para se erguer uma capela” e estendeu o poncho no
chão para nele arrecadar dinheiro para a construção
da primeira capela, posteriormente igreja ,do que viria depois a ser Carazinho. “O
padroeiro dessa Capela tem que ser Nosso Senhor de Bom Jesus” exclamou
Pedro Vargas.

Odilo movimenta a turma ao explicar que Carazinho era para se chamar
Assisópolis,
a cidade de Assis, comandante na Revolta de 1.923 no princípio de
emancipação do município. Em 1930, na Gare foi instituído
o Barracão Liberal, auxiliando os militares que ali passavam a caminho
de São Paulo. “Numa dessas passagens dos soldados, Getúlio
Vargas e Flores da Cunha vendo a movimentação a favor deles
na região, prometeram que com a revolução vitoriosa,
Carazinho seria emancipada”.
Em 24 de janeiro de 1.931, Flores da Cunha emancipou Carazinho, tendo a avenida
principal com o seu nome. Localizada no Planalto Médio gaúcho,
sua avenida principal é um divisor de águas entre a Bacia do
Alto Jacuí e o Rio Uruguai e altitude de 592 metros acima do nível
do mar.
Em meio a história da cidade, Odilo declamou versos de agradecimento
aos alunos. “Amando Carazinho, de quem não sou filho, já fui
indicado cidadão honorário do município, vencedor da
2ª edição da Seara Gaúcha, defendendo ecologicamente
o Rio da Várzea. Vivo há mais de 50 anos em Carazinho com esposa,
filhos, netos e bisnetos. Carazinho, seu nome vem de peixes, sem que nunca
se queixe, servindo a duas vertentes, alimentando duas bacias. Ocupando espaço,
fundando seus passos fez o próprio chão. Teve sempre toda a
força da terra e a vontade de seus filhos, para a criação
do gado em Pinheiro Marcado a fazenda São Benedito. A nossa avenida
era uma cancha de corrida. Com Pedro Vargas, de um sonho veio a luz, e assim
nasceu a devoção da nossa matriz do Bom Jesus. O gado, a lavoura,
vieram riquezas mais, eis Carazinho, domando seu destino em seu tempo fazendo
o futuro”.
Com estes versos teve fim a aula de história que através da
vida de um homem, declama a história de Carazinho. Dessa forma, alunos
da ULBRA de toda a região levaram para casa, em outras localidades,
um pedaço de Carazinho, na memória e no caderno. A professora
interrompeu lembrando a turma que ao final do semestre eles farão
um tour pela cidade para complementar na prática os ensinamentos de
Odilo.

Os alunos do 1° semestre do curso de Design entregaram
um livro de presente ao palestrante.
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