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.: Egressa de Biomedicina publica artigo :. O trabalho de conclusão de curso (TCC) de autoria da
egressa do curso de Biomedicina da ULBRA Carazinho Graziella Alebrant Mendes,
realizado no ano de 2008, sob a orientação da professora de Biomedicina,
Fabiana de Cássia Romanha Sturmer, intitulado: Utilização
dos Marcadores CA 15.3 e CEA no Seguimento de Pacientes com Neoplasia Mamária
foi publicado na revista News Lab N.102. A revista possui publicação
bimestral, com distribuição dirigida a laboratórios, hemocentros
e universidades de todo o país.
O estudo transversal descritivo analisou prontuários de pacientes com
câncer de mama diagnosticado entre janeiro de 2003 e janeiro de 2008,
em um serviço médico privado de saúde, localizado na região
norte do Rio Grande do Sul.
Graziella afirma que sempre se interessou por este tema, que envolve componentes
celulares, estruturais e bioquímicos que definem alterações
celulares e moleculares associadas à transformação maligna,
ou seja, ao câncer. “Quando estagiei por quase dois anos em um
laboratório de patologia, pude aprender um pouco mais sobre o assunto
e então para o TCC, queria trabalhar em algo relacionado a isso. Conversei
com a professora Fabiana sobre o assunto e ela também achou relevante.
Após uma revisão do tema decidimos estudar os marcadores tumorais
sanguíneos mais utilizados para o câncer de mama”, explica
a egressa.
Para auxiliar na pesquisa, Graziella procurou um mastologista, para saber um
pouco mais sobre a viabilidade do estudo. Então o Dr Diogenes Luis Basegio,
se interessou pelo tema e colaborou com a pesquisa. O estudo foi submetido
e aceito para publicação em 2009 e publicado em 2010.
Graziella se formou pela primeira turma de Biomedicina na ULBRA Carazinho em
2008. Ingressou no Mestrado em Patologia pela Universidade Federal de Ciências
da Saúde de Porto Alegre em 2009/01 e atua na linha de pesquisa de Neuroendocrinologia.
Ela elaborou um projeto de dissertação que aborda a presença
do hormônio prolactina em tumores do sistema nervoso central.
Marcadores Tumorais
O câncer de mama é um grave problema de saúde em todo mundo,
constituindo-se na principal causa de morte por câncer entre as mulheres.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que por ano
ocorram mais de 1.050.000 casos novos de câncer em todo mundo, sendo
que na década de 90, este foi o câncer mais freqüente no
Brasil. Embora não se conheça exatamente todo o mecanismo causal
do câncer de mama, não há duvida que a interação
entre os fatores genéticos e ambientais exerce papel fundamental na
etiologia e na evolução dos casos.
A professora Fabiana esclarece que a mensuração de marcadores
tumorais é uma ferramenta para detecção de metástases à distância,
sendo que o marcador CA 15.3 parece ser mais eficiente quando comparado ao
CEA. “Devido ao alto número de pacientes que não elevam
os marcadores na presença de doença metastática, percebe-se
que o acompanhamento das pacientes com câncer mamário após
tratamento cirúrgico utilizando apenas marcadores tumorais é insuficiente”,
explica.
Fabiana conta que os procedimentos mais utilizados para detecção
precoce do câncer de mama é o exame clínico das mamas (ECM)
e a mamografia. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, não há evidências
da eficiência do auto-exame das mamas, não existindo contribuição
para redução da mortalidade por câncer de mama. Os marcadores
biológicos são componentes celulares, estruturais e bioquímicos
presentes não só em células tumorais como também
em células normais, por isso não podem ser utilizados na forma
de diagnóstico.
Ela explica que as células tumorais definem alterações
celulares e moleculares associadas à transformação maligna. “Tais
substâncias se tornam hiperexpressas como resultado do câncer.
Estão presentes no tumor, no sangue ou em outros líquidos biológicos,
produzidos primariamente ou secundariamente pelo paciente em resposta à presença
de tumor. Os marcadores séricos mais largamente utilizados para o câncer
de mama é o CA 15.3 e o antígeno carcinoembrionário (CEA)”.
Conforme a professora isso se constitui em uma mucina polimórfica epitelial
de alto peso molecular (300-450 KDA) com sequência repetitiva de proteína
de centro encapsulada por carboidrato. “A sensibilidade varia de acordo
com a massa tumoral e estadiamento clínico, sendo de 88 a 96% na doença
disseminada. Então, a grande utilização deste marcador é para
o diagnóstico precoce da recidiva, precedendo os sinais clínicos.
Também é utilizado para acompanhamento da resposta ao tratamento”.
A professora comenta que segundo a última atualização
realizada em 2007 pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica (American
Society of Clinical Oncology), os marcadores que mostram evidência clínica
e estão recomendados para o uso no câncer de mama são o
CA 15.3, CA 27.29, antígeno carcinoembrionário (CEA). “Porém
os dados são insuficientes para recomendá-los para screening,
diagnóstico, estadiamento e detecção da recorrência.
Apesar do valor prognóstico do CA 15.3, seu papel no manejo de estágios
precoces do câncer de mama não esta claro”.
Já para o monitoramento de pacientes com doença metastática
durante a terapia CA 15.3 e CEA podem ser usados em conjunto com diagnóstico
por imagem, história e exame clínico. “Um aumento dos marcadores
pode ser usado para indicar falha no tratamento. Em pacientes com doença
metastática, sugere-se avaliar CA 15.3 e CEA inicialmente obtendo-se
informações adicionais para investigação clínica
e radiológica”.
Alto índice de câncer
de Mama no Brasil
Como no Brasil, o câncer de mama é o mais frequente em incidência
e mortalidade no sexo feminino, apresentando curva ascendente a partir dos
25 anos de idade e concentrando a maioria dos casos entre os 45 e 50 anos.
Representa, aproximadamente, 20% do total de casos diagnosticados e 15%, em
média, das mortes por câncer. É mais comum em mulheres
de classe social elevada e entre aquelas que vivem nas grandes cidades do que
naquelas que vivem no campo.
A professora de Biomedicina esclarece que os principais fatores associados
a um risco aumentado de desenvolver câncer de mama são: sexo feminino,
menarca precoce (antes dos 11 anos), menopausa tardia (após os 55 anos),
nuliparidade, primeira gestação a termo após os 30 anos,
ciclos menstruais menores que 21 dias, mãe ou irmã com história
de câncer de mama, na pré-menopausa, dieta rica em gordura animal,
dieta pobre em fibras, obesidade (principalmente após a menopausa),
radiações ionizantes, etilismo, padrão socioeconômico
elevado, ausência de atividade sexual, residência em área
urbana e cor branca.
Ela ressalta que embora não se conheça exatamente todo o mecanismo
causal do câncer de mama, não há dúvida que a interação
entre os fatores genéticos e ambientais exerce papel fundamental na
etiologia e na evolução dos casos. Fatores relacionados à dieta,
ao hábito de fumar, à ingestão de bebidas alcoólicas
e a paridade, parecem exercer um peso importante no processo de carcinogênese
mamária.

Graziella é egressa do curso de Biomedicina da ULBRA
Carazinho.
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